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Recursos - FC Porto com Champions em risco

CJ ia absolver Pinto da Costa

O presidente do Conselho de Justiça (CJ) queria afastar o vogal João Carrajola Abreu das decisões dos recursos de Pinto da Costa e do Boavista. Sem o voto de Abreu, subsistiria um empate no sufrágio. Aí, com o seu voto de qualidade, Gonçalves Pereira decidiria a favor dos axadrezados e do presidente portista.

Os argumentos de Pinto da Costa e Boavista para o afastamento de João Abreu coincidiam num ponto:o conselheiro integra também a Federação como perito nas indemnizações por compensação da formação de jogadores.

Gonçalves Pereira recebeu por correio electrónico a justificação de João Abreu, mas pretendia dar provimento aos pedidos de inibição de Boavista e Pinto da Costa. Foi impedido pelo restante CJ, que com cinco conselheiros considerou reunir quórum e acabou por corroborar as decisões da Comissão Disciplinar da Liga no âmbito do ‘Apito Final’.

Os veredictos do CJ, que o próprio presidenteafirma seremilegais(ver caixa) voltam a colocar em risco a participação do FC Porto na Liga dos Campeões. O Comité de Apelo da UEFA tinha centrado a admissão dos azuis-e-brancos pelo facto de persistir a dúvida no trânsito em julgado da punição ao FC Porto.

Com a decisão da madrugada de ontem, o Benfica já prepara a resposta. E deverá na segunda-feira avançar com um pedido para que o FC Porto não dispute a Champions. "A decisão está transitada. Seja esta época, seja na próxima, o FC Porto terá de ser afastado", disse o advogado do Benfica, João Correia, ao Correio da Manhã.

Pinto da Costa não escondia a revolta pela confusão no seio do Conselho de Justiça. "Parece que ressuscitaramoPREC.Ficambem clarasasintenções porque se da parte do Boavista havia alguma urgência, da minha parte não havia nenhuma", disse ontem em Matosinhos, revelando ainda que a decisão era ilegal.

Pinto da Costa anunciou ainda que vai pedir ao tribunal administrativo a aclaração do veredicto. "Tenho de, pela primeira vez, concordar com o Benfica, que escreveu na exposição para a UEFA que o Conselho de Justiça não tinha credibilidade."

PASSO A PASSO

Inibição

Na altura em que o CJ se preparava para decidir os recursos de Pinto da Costa e Boavista, Gonçalves Pereira ausenta-se. O vogal João Abreu é chamado a outra divisão do edifício da Federação, onde o líder do CJ lhe terá dito que estaria inibido de votar, por incompatibilidade de funções.

Processo

De volta à reunião, um conselheiro pede a Gonçalves Pereira que recue na decisão ou então que ponha à discussão o recurso interposto por João Abreu da inibição de votar. O líder do CJ recusa. Outro conselheiro sugere então a abertura de um processo disciplinar a Gonçalves Pereira, com efeitos suspensivos imediatos.

Volte-face

Perante a proposta, Gonçalves Pereira dá por encerrada a reunião, às 17h55, e abandona a sala, sendo mais tarde seguido pelo vice ElísioAmorim. Os outros conselheiros consideram nulo o fecho da reunião, decidem a favor do recurso deAbreu e instauram um processo a Gonçalves Pereira. Começam a decidir.

"TINHA DE SAIR O MAU CHEIRO"

É com ironia que João Abreu fala da decisão de ontem. O vogal que Gonçalves Pereira queria afastar e que mais tarde votou a sua suspensão diz só ter tido um pensamento quando o presidente deu por encerrada a reunião. "Pensei: temos de fechar a porta do passado, abrir a janela para sair o mau cheiro e seguir em frente", disse ao CM.

GONÇALVES PEREIRA: "DECISÃO É ILEGAL"

Para Gonçalves Pereira, a decisão da madrugada de ontem, levada a cabo pelos cinco conselheiro do Conselho de Justiça, carece de legalidade. "Não existe uma decisão com cunho jurídico. A lei é clara ao dizer que só o presidente do CJ tem o poder de convocar, dirigir e encerrar as reuniões. Esta acabou às 17h55. O que se passou depois foi um mero encontro de pessoas livres", referiu à RTP o presidente do CJ.

Sobre o pretendido afastamento de um vogal, Gonçalves Pereira afirma não haver polémica:"Apenas me limitei aos fundamentos invocados. Depois de interpelar João Abreu, que me respondeu em dois e-mails, não tive dúvidas em considerá-lo impedido."

BOAVISTA QUER OPINIÃO DE MADAÍL

O Boavista escuda-se na decisão do Conselho de Justiça com as palavras do próprio presidente do CJ. Para os axadrezados, o veredicto é ilegal, mas querem ouvir a opinião dos presidentes da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga de Clubes.

"Gilberto Madaíl e Hermínio Loureiro é que têm capacidade para colocar as decisões em prática. Há que saber o que pensam, sob o risco de se tornarem cúmplices desta ilegalidade, afirmou à Lusa o presidente do Boavista, Álvaro Braga Júnior, que ameaça com um pedido de indemnização aos órgãos reguladores do futebol nacional.

"O presidente do CJ deu a cara e espero que os conselheiros não se escondam em dúbios comunicados e mostrem também a cara para explicar a decisão", completou o responsável do clube axadrezado, que não viu analisado um dos seus recursos, já que o relator de um dos jogos – Elísio Amorim, vice do CJ – abandonou também a reunião.

Com a despromoção do Boavista, o cenário de crise agrava-se no Bessa e, em sentido contrário, emPaços de Ferreira respira-se de alívio, com a permanência no escalão maior: "Foi feita justiça", disse ontem o presidente pacense, Fernando Sequeira.

Octávio Lopes/Tânia Laranjo/Sérgio Pereira Cardoso